quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Obs: Com esse cordel, fui uma das vencedoras do primeiro concurso do Centro de Tradições Nordestina de São Paulo. (CTN).
SÃO PAULO:
A CAPITAL NORDESTINA.
Eu como boa nordestina
Vou falar do meu nordeste,
Que se mudou pra São Paulo
Feito um cabra da peste,
Saiu quebrando barreira
Deixou a terra pioneira
Pra vir morar no sudeste.
Eu vim lá do Ceará
Pernanbuco está presente,
Paraiba veio em peso
Para plantar a semente,
Escute aqui o que eu digo
São Paulo é o que é amigo
Pelo braço dessa gente.
Não existe nesse mundo
Braço forte e acolhedor,
Igual ao do nordestino
Que sem diploma é doutor,
Mesmo vindo lá da roça
Essa cidade é nossa
Desculpo-me meu senhor.
Somos a massa aqui
Estamos em todo lugar,
Encontram-nos no comércio
É só você procurar,
Também estamos na escola
Não precisamos de esmola
Nós queremos é trabalhar.
Coragem temos de sobra
De nada nós temos medo,
Trabalhamos até a noite
Sabemos guardar segredo,
Ancamos em linha reta
Até viramos poeta
Para mostrar nosso enredo.
Sentimos muita saudade
Isso eu não posso negar,
Em matéria de comida
Meu nordeste vem pra cá,
Tem feijão verde e piqui
Tudo eu encontro aqui
Pra fazer meu mungunzá.
Encontro carne de bode
Jabá que vem da Bahia,
Também tem o leite puro
Para eu tomar todo dia,
Tapioca bem fresquinha
Manteiga, fava e farinha
Pra aumentar minha alegria.
Aqui também você encontra
Carne de sol e buchada,
Cajá e seriguela
Suco de umbu e coalhada,
Também pra ficar mais forte
Mata a saudade do norte
Com uma boa rabada.
E tudo isso amigo
Pelas mãos dos nordestinos,
Muitos deixaram o nordeste
Ainda quando menino,
Tantos venceram na vida
Outros pensam na partida
Pra voltar ao seu destino.
Quando eu olho para cima
Nos edifícios eu vejo,
A luta dos nordestinos
Para alcançar seu desejo,
Com a sua família no norte
A carta era o passaporte
Para transportar seu beijo.
Construiram esta cidade
Muitos não tem nem noção,
Do que eles foram capazes
De construir com suas mãos,
Digo com sinceridade
Eata é a maior cidade
Pra acomodar a nação.
A presença nordestina
Está em todo lugar,
Ela está no futebol
Também está no paladar,
Está no legislativo
Também no executivo
Pra cidade governar.
Ela está na medicina
Para curar as doenças,
Nos chás, e na terapia
Para aqueles que têm crença,
Está na religião
Pregando a salvação
E acabando as diferenças.
Está nadando no luxo
Mas também está na pobreza,
Está dentro do progresso
Defendendo a natureza,
Muitos vivem na alegria
Outros nem é todo dia
Que tem comida na mesa.
Tem nordestino tão rico
Que esqueceu do nordeste,
Eaqueceu que foi um dia
Um desses cabra da peste,
Foi um homem tão valente
Mas esqueceu sua gente
Que deixou lá no agreste.
Mas tem outros que com orgulho
Amam sempre a sua terra,
Lembram até do caminho
Que o levavam pra serra,
Da vaca com sua careta
Do cavalo carrapeta
Quando travava uma guerra.
Esta cidade é composta
De uma boa mistura,
Gente que veio lá da roça
Deixando a agricultura,
Mas o nordestino é forte
A vida dura do norte
Faz ter jogo de cintura.
Aqui tudo é diferente
São Paulo cresce pra cima,
O meu nordeste é quente
São Paulo tem outro clima,
Mas pra sua construção
Sai mesmo é da nossa mão
A melhor matéria prima.
Duvido que esta cidade
Um dia fosse tão bela,
Se não fosse o nordestino
Que cuidasse tanto dela,
Até já teve prefeita
Erundina foi eleita
Pra poder governar ela.
É o nosso braço forte
Que constrói essa nação,
Tem gente de todo mundo
Paraguai, México e Japão,
Mas a cidade não dorme
Vive sempre nos conforme
Produzindo o nosso pão.
Tem nordestino que a noite
Quer matar sua saudade,
Vai pegando a viola
E improvisa de verdade,
Cantando lá do seu jeito
Vai aliviando o peito
Buscando a felicidade.
Têm outros que já se encostam
E ali choram sem parar,
As lágrimas rolam no rosto
Por lembrar do seu lugar,
Pois dói mesmo eu não nego
A saudade é feito prego
Lá no peito a machucar.
Outros já buscam o caminho
Da salvação e da fé,
Chegam a fazer promessas
Na catedral lá da sé,
Eu mesma conheçço bem
Pois quero voltar também
Lá pras bendas do Assaré.
Quero ver as cachoeiras
O açude a sangrar,
Pular lá dentro do rio
Ver se ainda sei nadar,
Por isso faço economia
Um pouquinho todo dia
Pra poder ir passear.
Por mais que sejamos forte
A saudade dá um nó,
O nosso peito atormenta
Pois saudade não tem dó,
Viajo no pensamento
E vou andando de jumento
Pro sertão de Caicó.
Quando é final de ano
Mesmo em ônibus clandestino,
Poe a roupa na sacola
Da mulher e dos meninos,
E sai todo orgulhoso
Tão bonito e tão garboso
Rumando pro seu destino.
Vai descansar lá no norte
Comer galinha de angola,
A noite junta os amigos
E ao som da sua viola,
Vai improvisando um verso
Que se junta ao universo
No terreiro da escola.
Quer matar sua saudade
Revendo todos os amigos,
Pois a saudade no peito
é um tremendo castigo,
O tempo passa depressa
Mas que saudade é essa
Que ainda volta consigo.
Procurei contar um pouco
da vida do nordestino,
Que saiu da sua terra
Muitas vezes ainda menino,
E aqui ainda eu suponho
Que carrega tantos sonhos
Dentro do seu desatino.
Aqui nós temos a força
Que a nossa fé conduz,
Pois somos abençoados
Somos da terra da luz,
Seguimos nosso destino
Sou feliz, sou nordestino
E vou comendo o meu cuscuz.
Aqui eu fico orgulhosa
por poder participar,
Mostrando assim o meu verso
E se alguém for avaliar,
Também sou cabra da peste
Pois eu vim lá do nordeste
Das brenhas do Ceará.
Desculpa se eu não falei
O que você esperava,
As palavras não são minhas
Foi meu peito quem falava,
Eu apenas rabisquei
Mas garanto que chorei
Quando o meu verso eu rimava.
Fim.
Alice F. Morais.
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